A crise brasileira é real?



Não são poucas as notícias sobre o Brasil estar em sua "pior crise já registrada após um boom econômico", e de alguma maneira isso me parece mentira. Não é porque eu não estou vendo o desemprego gigantesco, as empresas fechando, etc, etc. É porque eu acredito que o Brasil não teve um "boom econômico" sustentável. Vou tentar explicar, baseado na minha experiência de vida e na minha parca noção de economia (que por sinal, não é ciência natural, é "ciência humana", então praticamente não tem certo e errado) sobre o que aconteceu, o que eu acho que vai acontecer, e o que poderiamos fazer pra mudar isso. Sim, é tudo suposição, achismo, como todo bom texto de economia ;D.


O pai da marolinha veio tirar satisfação


Quando os Estados Unidos passam por crise, o mundo passa por crise. Mas isso não afetou muito o Brasil em 2008-2010. Duas razões podem ser mencionadas como causadoras: a ampliação dos programas sociais que gerou um mercado consumidor artificial financiado pelo estado (e que contribui anualmente com uma parcela da nossa inflação) e alta das Commodities, como todo mundo já cansou de ouvir. O que o cidadão comum não percebeu foi o maior problema de 2008: o motivo. Não foi super-produção, não foi algo imprevisível, não foi uma """auto-regulação""" do mercado: foi incompetência. Sabe o que significa pra maior potência do mundo, detentora das melhores universidades do mundo, maior e mais avançado exército do mundo, falar "então... a gente fez besteira"? É uma combinação de desculpa esfarrapada com caos generalizado e medo de outras economias fazerem o mesmo. Na fuga de capital de investidores estrangeiros e falta de opções até o Brasil, com toda sua precariedade, pareceu atraente.

Mas gringo não resolve problema na base de licitação e no superfaturamento como aqui na República da Banana. Logo após a crise o mercado americano se reestruturou e correu atrás do prejuízo. A mão de obra americana, a política tributária, e a própria postura empreendedora dos americanos que faz parte da sua cultura foram fatores decisivos na recuperação. Vejamos abaixo um gráfico do número de pessoas empregadas nos Estados Unidos:



Outro gráfico importante é a variação do PIB como porcentagem. Reparem como em 2010 as coisas já estavam bem encaminhadas:




Atualmente, vemos notícias como o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos , o rebaixamento da nota de crédito do Brasil e a diminuição dos juros no Brasil fazendo os investidores migrarem de país, uma vez que ninguém em sã consciência optaria por emprestar dinheiro pra alguém que pode não te pagar por uma diferença de juros mínima. Assim, todo o crédito que antes o Brasil tinha disponível e que talvez pudesse ter usado pra alguma coisa útil agora já voltou pra outras nações mais sérias. Essa oportunidade já foi, mas reparem que isso não é "crise". Foi tipo um dinheiro que achamos na rua, mas que preferimos torrar em pinga ao invés de usar pra consertar o telhado de casa que estava com goteira.


Crise X Realidade 


Quem estava no mercado de trabalho em 2009-2010 em São Paulo deve lembrar como ninguém era de ninguém numa orgia corporativa de salários de 4 dígitos. Pessoas pouco qualificadas sendo promovidas as pressas simplesmente por não terem profissionais para preencherem as novas demandas. Lembram que faltava engenheiros? Vocês realmente achavam que isso ia durar muito? Lembram dos sites mostrando imóveis em Milão e Madrid sendo vendidos por muito menos que no Rio de Janeiro?

Nem devia falar de Espanha e Itália porque são países atrasados pro padrão europeu. Mas até mesmo nesses países que são praticamente a rabeta européia o nível educacional da mão de obra humilha o brasileiro. Usando dados do site PISA (http://www.compareyourcountry.org/pisa/) que faz testes nos estudantes de ensino médio afim de verificar o nível de cada país, podemos comparar Itália e Espanha com Brasil. Os resultados são assustadores.




Estes resultados comparam a média dos 2 países. Você pode estar pensando "bom, o Brasil tem 200 milhões de pessoas, Italia e Espanha tem 60 e 46 milhões cada, é mais fácil educar menos crianças, ainda mais sendo países mais ricos, mas aposto que se pegar os tops brasileiros a gente humilha né? É tipo a China, no meio de todo aquela gente deve nascer uns super gênios e daí a gente leva vantagem!". Achou errado meu amigo.





O ponto importante de colocar esses dados sobre educação é que são essas pessoas que vão formar o mercado de trabalho em alguns anos. E o Brasil não mostra melhoras. Se observarmos os resultados brasileiros, é possível até vermos uma piora em matemática. Mas pra que isso importa? Bom, por mais que alguns pedagogos e psicólogos reclamem, eu acredito que seu desempenho escolar está diretamente relacionado com seu desempenho no trabalho. Seu desempenho escolar vai ditar, por exemplo, em qual faculdade você entra. E é graças a isso que chegamos a números como o de o trabalhador americano ter a mesma produtividade que quatro brasileiros. E isso torna o país nada atrativo para ter qualquer empresa. Você mesmo, brasileiro, se pudesse escolher um país pra abrir sua empresa, escolheria o Brasil?

Por isso acredito que essa "crise" que estamos vivendo nada mais é que um ajuste para a realidade. É o Brasil voltando para o mundo real. Não existe mais lugar no mundo para o funcionalismo público que se pratica aqui. Não existe mais lugar no mundo pra política que se pratica aqui. Não tem como cortar bolsa de doutorandos e mestrandos de cursos de STEM (ciencia, tecnologia, engenharia e matemática) que somam centenas de milhares de reais por ano, enquanto se sustenta coronéis no nordeste com repasses da união federal na casa dos bilhões. É por esses motivos que eu realmente não creio que a "crise" que vivemos seja uma crise. E por isso, não vai haver recuperação. Só vamos voltar ao nosso crescimento humilde, tortuoso, puxado pelo agronegócio, arrastados pelo crescimento da China, e sonhar com o dia que uma nação de cultura superior a portuguesa tiver necessidade de invadir nosso território para estabelecer residência (vai ser indolor, nosso exército vai se render nos primeiros minutos de combate) e finalmente nos deixar aproveitar todos os recursos que essa terra oferece de maneira digna.


Os alemães atrasados brasileiros



O texto do jornalista alemão Thomas Fischermann entitulado "Um Alemão atrasado em Blumenau" gerou diversas reações por parte da população local, principalmente por tratar de um tema muito delicado ainda nos dias de hoje: a identidade cultural. Junto com ela, podemos falar de preconceitos, racismo, mas também temos que falar em comportamento, psicologia e até mesmo felicidade.


Pra quem escuta uma pessoa branca, talvez de olhos claros, falar que os alemães no Brasil em certa época tinham "vergonha" de serem alemães, parece exagero. Nunca foi chamado de macaco com certeza. O preconceito associado a imagem do alemão não é necessariamente negativo para quem vai selecionar um candidato a uma vaga de emprego, ou para um policial escolher quem vai ser revistado. Mas aqui no Brasil as pessoas que se enquadram na etnia que os americanos chamam de  "latina" tentam se posicionar como os "verdadeiros" brasileiros. O loiro, é alemão. O oriental, japonês. O preto, é preto. Todos os não "latinos" são diferentes, e enquanto criança temos que ouvir brincadeiras que nos separam dos "verdadeiros" brasileiros sem ter o que responder. Mas assim como na fábula do patinho feio, quando crescemos, vemos que nossa aparência e até mesmo os valores ensinados em casa que nos tornam diferentes, são motivos para ter orgulho muito mais do que vergonha. Atualmente os negros, depois de séculos e séculos da opressão latina, estão hoje investindo no visual de sua etnia, mostrando maior união, e esse na minha opinião é o melhor caminho pra acabar com preconceito: aceitar sua aparência, sua etnia, e ter orgulho de sua história e suas virtudes.


Atualmente qualquer adulto com acesso a internet consegue comparar países na Wikipédia e ver vídeos no Youtube sobre a história do mundo. PIB, IDH, qualidade da educação geram listas. Dividimos nações em desenvolvidas, emergentes, subdesenvolvidas. A história contada por anos nos livros brasileiros sobre os acontecimentos da terra na qual moramos parece cada vez mais e mais fantasiosa. As novas gerações não conseguem mais aceitar Dom Pedro como um herói nacional que nos libertou das garras da coroa portuguesa, mas sim como o descendente de uma família real covarde que abandonou uma nação que os sustentara com impostos por séculos no momento em que eram mais necessários, para fazer vida nova na colônia de exploração. Provavelmente foi o filho de mimado de pais ricos, irresponsável, que gostava de aparecer e de agradar os amigos. Muitas cidades formadas por imigrantes, com poucos séculos de vida, quase recém fundadas do ponto de vista histórico, já lideram rankings de qualidade de vida, enquanto outras que datam próximas do "descobrimento" amargam a liderança dos rankings de violência e desigualdade. São dados que devem ser analisados com cuidado, observando o contexto histórico, e sempre levando em conta que correlação não quer dizer causalidade. É neste cenário que temos Blumenau, com sua população mista de alemães e italianos, sendo questionada sobre sua festa que já é a segunda maior do mundo, depois da Oktoberfest de Munique.


Mencionar que a população blumenauense nem possui descendentes de alemães da Baviera faz todo sentido. Quando o paulista está no exterior sempre reclama das perguntas sobre o samba, as praias e a floresta amazônica e seus índios. A Alemanha, assim como o Brasil, possui diversas regiões diferentes, com sua cultura própria e muitas vezes com um dialeto tão carregado que é praticamente impossível para eles mesmos se entenderem. A menos, é claro, que alguém pague uma bebida. Ou no caso, que deixe passar uma "multinha" boba. Quando convém, o gaucho samba, o paulista defende a floresta amazonica, e o goiano dá dica de praia. Estacionar em local gerido pela prefeitura e pagar a taxa é pros outros. Não pra um jornalista alemão.


O jornalista cometeu um erro grotesco ao dar a entender que as pessoas em Blumenau se vestem em trajes típicos regularmente. Assim como em Munique, no período da Oktober, diversas pessoas se vestem assim, mesmo estrangeiros. Ele poderia visitar Blumenau novamente, fora do período da Oktober, para comparar melhor. Mas deixando isso de lado, falemos do título do texto. Um alemão atrasado. Quando retornar ao Rio de Janeiro, este jornalista provavelmente vai dar sorrisos arrogantes enquanto visita seus amigos (pagando devidamente o estacionamento pro flanelinha), pela genialidade de não deixar claro se o alemão atrasado era ele próprio ou seu anfitrião. Me faz refletir sobre alguns alemães que conheci que se mudaram para o Brasil por terem aversão a regras, como cumprir um horário por exemplo. São pessoas ótimas, não entendam mal. Mas talvez assim como com os políticos, cada país deve ter os alemães que merece. E Blumenau, mesmo estando acorrentada pelo vínculo com a união brasileira, mesmo tendo sido bombardeada por anos de rede globo, ainda tenta cultivar valores que vão resultar em uma sociedade mais justa e mais organizada. Os blumenauenses não são alemães, mas querem cultuar o que consideram virtudes de seus antepassados, mesmo que talvez não sejam realmente seus antepassados. E eu pessoalmente acho isso muito melhor do que as virtudes promovidas pela mídia brasileira sobre a identidade do brasileiro.


Uma experiência de cotas

Depois de muito tempo, volto a escrever aqui sobre um tema que se não é o que mais me preocupa no país, está entre os 3 primeiros: a educação.
Entra governo, sai governo, e nada muda: a educação pública e gratuita de ensino médio e fundamental parece estar em queda sem esperanças de melhoras. A realidade do mundo hoje mostra que não existe melhora de IDH sem melhora de educação, mas ainda assim, quando o país se vê numa situação financeira melhor, o dinheiro é gasto em sua maioria com obras e criação de cargos públicos burocráticos, ou seja, nada que vá trazer algum benefício futuro. O governo já desistiu de tentar disfarçar, e agora nem divulga mais as notas de ENEM por escola. É como se negar o problema fosse fazê-lo desaparecer, ou melhor ainda, é uma versão de nível federal da ridícula lei brasileira de "não gerar provas contra si mesmo" - aquela mesma que nos permite negar a fazer o teste do bafômetro em Blitz.

Sei que acesso a educação não necessariamente significa formação de pessoas racionais, mas pela minha pouca experiência pessoal é um fator necessário. Em outra palavras: quem teve boa educação (e isso inclui até os auto-didatas, através de livros) não necessariamente vai ser uma pessoa racional, mas quem é racional necssariamente teve uma boa educação. É importante lembrar também que a educação é um processo, não um período de vida. Não é porque uma pessoa não pode frequentar uma boa escola e não teve boas notas que não possa aprender no futuro de outras maneiras. E é nesse ponto que as cotas se apoiam pra tentar justificar a entrada de pessoas com rendimento pior no exame de admissão.

O Experimento


No meio de 2015 iniciei meu "plano diabólico de dominação mundial" em SC: entrei em um curso de tecnologia (leia-se "tecnólogo"), em um instituto federal. Tinha dois motivos principais: primeiro, seria uma oportunidade de passar um tempo em outro país como estudante caso eu fizesse o programa de intercâmbio, segundo, iria conseguir ter uma idéia de como é o nível do estudante do curso superior público da região na qual gostaria de abrir um negócio próprio, o Vale do Itajaí - assim eu poderia conhecer mais ou menos como são as pessoas que eu um dia, quem sabe, se tudo desse certo, poderia contratar ou ter como sócios.

Tentei conversar com o maior número de pessoas possível, para entender suas motivações e objetivos. Naturalmente não gosto muito de falar com várias pessoas, em especial estranhos, prefiro falar mais vezes com um número menor, mas para ter mais dados fiz esse "sacrifício" que no final acabou sendo bem fácil: no geral, as pessoas da região se mostraram muito simpáticas e fáceis de conviver.

Os aspectos que tentei observar foram: capacidade de aprender algo novo, conhecimentos do ensino médio, dedicação, interesse, facilidade de relacionamento, afinidade cultural. Aproveitei também pra ter impressões sobre o instituto federal, pois eles são normalmente "referência" no ensino de qualidade. O experimento durou 1 semestre, porque acabei saindo do curso para fazer pós-graduação (e isso graças a um professor do instituto, a quem devo muitos agradecimentos). Outro ponto que já me pegou de surpresa no próprio vestibular foi o número reservado para cotas: metade das vagas. Esse numero se distribui entre pessoas que concluiram o ensino médio em escola publica, sendo metade para as que tem renda superior a um valor, e do total 20% vai para negros, índios e pardos.

Observações


Vou começar pelos pontos negativos: falta/impossibilidade de dedicação/preparo e falta de honestidade, de uma minoria de alunos. A pior parte do experimento foi ver alunos que colam nas provas (mas como já deixei claro, são minoria!), e como a fiscalização é praticamente inexistente em uma ou outra matéria. Isso não é exclusividade deste instituto federal, na USP isso também acontecia muito.

Em seguida, vem a falta/impossibilidade de dedicação ou preparo (ou os dois). A realidade de muitos alunos do ensino superior dessa região é de trabalhar durante o dia e estudar a noite, mas isso acaba limitando o desempenho individual: ou a nota dos alunos é muito baixa, ou as provas ficam muito superficiais e o volume de conteúdo coberto muito pequeno. Essa é uma diferença enorme da maioria dos estudantes da USP que "só" estudam. A idéia é bem simples: se o aluno demora 10h para ler e fazer os exercicios de cada parte da matéria, e cada parte da matéria dura uma semana, se ele dedicar 1 hora por semana só vai cobrir aproximadamente um décimo do conteúdo. Então ou a prova vai cobrir só esse décimo e ele tem chance de ir bem, ou a prova vai cobrir tudo e ele vai ir mal na prova (ou então ele cola). O curso superior não tem muito o que fazer pra tentar compensar o péssimo ensino médio e fundamental do sistema público.

Normalmente em instituições famosas os professores deixam o nível das provas nas alturas e os alunos têm que ralar pra conseguir passar. Se não passou de primeira, tenta de novo, e vai tentando até passar (ou desistir). Mas nesse instituto em particular observei o que acontece quando um grupo não vai bem e a entidade dá voz aos estudantes: alguns alunos se uniram pra tentar deixar algumas provas mais fáceis. O que isso pode trazer no longo prazo? Primeiro, a instituição pode perder credibilidade. O diploma é só um papel, o que vale é o que a pessoa aprendeu durante seus estudos, e embora o governo tente de todos os jeitos maquiar dados, mudar formas de cálculo de desempenho pra parecer melhor, não é tão facil enganar o mercado: pessoas mal preparadas vão ter desempenho profissional pior, e essa "fama" se espalha. Segundo, por terem uma percepção do curso pior, menos vestibulandos podem se interessar por ele, alunos bons podem procurar outras entidades (particulares talvez?), e cada vez o curso terá alunos piores, terá que exigir menos em suas provas ou então não vai formar ninguém.

Tirando esses pontos negativos, no geral, os resultados foram excelentes. O nível dos professores surpreendeu de maneira incrivelmente positiva: o método em geral foi ótimo, a disponibilidade deles em tirar dúvidas fora do horário de aula era alta, o domínio de diversos assuntos relacionados a computação também. Um diferencial muito importante é que diversos professores tinham experiência de mercado, então a abordagem do curso não era somente acadêmica. Na minha graduação em engenharia, ficava diversas vezes revoltado com essa barreira que muitos professores tentam levantar entre indústria e universidade. Pra cursos mais científicos eu até entendo, mas engenharia é prática... Essa parte me deixou com boas espectativas quanto ao futuro da região.

O ponto mais controverso foi com relação as cotas. No geral, os alunos que entraram através de cotas tiveram desempenho inferior aos não cotistas, e acho que isso já era esperado. Houveram algumas desistências, mas isso ocorre em qualquer curso, independente de ter cota ou não. O que consegui perceber é que se interpretarmos as cotas pelos resultados , ou seja, número de alunos que vai terminar o curso e que terá de fato a vida impactada pelo diploma, elas são péssimas, e isso acaba tornando questionável o método que o sistema foi implementado no Brasil.

Conclusões


Se por um lado as cotas surtem pouco efeito em cursos técnicos que exigem raciocínio lógico e conhecimento de ciências exatas pois não é possível para a maioria dos alunos correr atrás do ensino fundamental deficiente, por outro, elas abrem uma possibilidade que me parece pouco explorada por estudantes de escola particular: o de ocupação destas vagas que surgem com as desistências através do processo de transferência externa. Antes da existência das cotas, os alunos com melhor nota no vestibular (ou ENEM) eram aprovados, independente de onde estudaram, e o número de desistências era menor.  Agora, existem muito mais vagas por causa das desistências, e nas universidades federais normalmente não existe prova de transferência, somente uma análise de currículo na qual candidatos que tiveram a maior parte da ementa compatível são selecionados. Fica a dica então para você que é aluno de universidade particular e gostaria de economizar uns milhares de reais por ano. ;D



OpenCV 3.2 com Object Tracking no Windows em C++ - mais um tutorial



Sei que já existem diversos tutoriais de como instalar o OpenCV no Windows, eu inclusive usei vários deles a primeira vez que fiz isso. Porém, por algum motivo obscuro (vulgo distração e o péssimo hábito de não documentar as coisas) não consegui mais compilar a biblioteca quando tentei usar outro computador para trabalhar. Depois de passar mais quatro dias de ócio procurando respostas na internet, resolvi escrever este artigo para minha própria consulta e quem sabe ainda ajudar alguém.

Basicamente, este tutorial funciona para as versões 3.1 e 3.2 do OpenCV para C++. No final do tutorial vamos ter uma IDE (no caso, o Eclipse Neon 3), com a biblioteca instalada junto com seus módulos extras e pronto para programar.

Ambiente


Para o desenvolvimento da tese de mestrado acabei optando pelo Eclipse como IDE e C++ como linguagem de programação . O C++ vai garantir uma performance próxima da ótima (sem consisderar erros do programador, claro!), além de já ser compatível com alguns sistemas embarcados menos potentes como o Arduino, ao custo de ter uma velocidade menor de desenvolvimento (ou seja, é mais "travado" para fazer as coisas funcionarem).

Baixe aqui para Windows 32bits!
O Eclipse foi ecolhido por ser uma alternativa compatível com Linux e Windows, além de não apresentar nenhum problema caso seja necessário usar uma versão mais antiga. Vou explicar porque isso é importante: quando tentei usar a última versão do Visual Studio em uma máquina que ainda rodava Windows 7 e que por algum defeito não estava fazendo o update automático para o Windows 10, a última versão da plataforma Dot Net não podia ser instalada. E adivinhem se eu consegui achar uma versão anterior do Visual Studio em um site oficial da Microsoft? Estou usando a versão 32 bits do Neon 3 pois aparentemente a 64 tem um problema para exibir a saída no console

O compilador utilizado é o MinGW, uma versão do GCC para Windows. Existem atualmente duas versões (mingw.org e mingw-w64), e nós vamos usar a mingw-w64 de 32 bits. Tentei usar o MinGW.org e obtive erros durante a compilação, assim como para a versão 64 bits. Para escolher a 32 bits, na instalação, selecione a opção "i686" na tela de instalação, conforme a figura abaixo.




Também é necessário adicionar a pasta "mingw32w64/mingw32/bin" à variável PATH do sistema operacional. No Windows 10 você pode fazer isso em Configurações -> Sistema -> Sobre -> Informações do Sistema -> Configurações Avançadas do Sistema -> Variáveis de ambiente. Existem diversos textos explicando como adicionar uma pasta á variável PATH do sistema na internet, basta pesquisar no google. ;D

Outro programa que vamos usar é o CMake. Estou usando a versão 3.9.1 mas acho que não tem problema pegar outra mais recente. Ele serve para gerar o arquivo make, que fornece instruções para a compilação de projetos em C++ mais complexos.

Finalmente, é necessário baixar o código fonte do OpenCV. Mas, como nada na vida é fácil, o módulo de tracking não vem instalado por padrão. Então, é necessário baixar a versão "base" e a versão "contrib". Mas atenção: só consegui fazer as versões 3.1 e 3.2 funcionarem com os módulos extras!

Então, resumindo até aqui, você deve ter os seguintes programas instalados no seu computador:

  • Eclipse Neon 3 32 bits.
  • Mingw32 w64, versão 32 bits.
  • CMake.
  • OpenCV e OpenCV-contrib (arquivos .ZIP extraídos)


Criando o arquivo Make



O próximo passo é organizar os pastas onde vamos montar a biblioteca. Eu por exemplo deixei uma pasta opencv-3.1.0 na área de trabalho, junto com uma outra contendo os modulos extras chamada opencv-3.1.0-contrib, mas ainda precisamos criar uma terceira pasta onde a biblioteca compilada irá ficar, que eu por exemplo chamei de opencv-3.1.0-build. Dica: adicione esta pasta "build" como exceção ao monitoramento automático do seu antivírus para evitar que ele interfira na geração dos arquivos na hora de compilação.



Agora é necessário abrir o CMake, indicar a pasta que contém o código fonte (src), que é a própria pasta do OpenCV baixada anteriormente, e  pasta de destino. Depois, aperte "Configure", e coloque as seguintes configurações:


Na próxima tela, indique onde estão seus compiladores na pasta em que instalou o mingw32 w64:
  • C compiler: gcc.exe
  • C++ compiler: c++.exe
  • Fortran compiler: gfortran.exe
Agora temos a tela de configuração do arquivo make do opencv:


A primeira coisa a adicionar, independente da versão a ser compilada, é a pasta contendo os modulos extras. Dica: se você não encontrar a opção pois a tela possui informação demais, basta digitar "modules" no campo "Search" e apertar Enter. Também é interessnte procurar a pasta pelo botão "..." do próprio Cmake, pois se você perceber, os endereços de arquivos do programa usa barras invertidas, diferentes do Windows. Depois disso, aperte "configure" novamente e novas opções surgirão na tela de configuração e ficarão sublinhadas em rosa/vermelho.

Depois de algumas tentativas, vi que as versões 3.1 e 3.2 apresentam diferentes módulos que, se não configurados previamente, vão resultar em erros na compilação. Por isso é interessante reforçar que este tutorial vai produzir a versão básica, sem nenhum adicional do OpenCV. Dito isso, vamos às configurações de cada versão:


3.1.0 - desabilitar:

  • BUILD_DOCS
  • BUILD_EXAMPLES
  • BUILD_OPENEXR
  • BUILD_WITH_DEBUG_INFO
  • BUILD_opencv_apps
  • BUILD_opencv_bioinspired
  • BUILD_opencv_calib3d
  • BUILD_opencv_ccalib
  • BUILD_opencv_contrib_world
  • BUILD_opencv_hdf
  • BUILD_opencv_python3
  • BUILD_opencv_ts
  • BUILD_opencv_world
  • WITH_GSTREAMER
  • WITH_MATLAB
  • WITH_OPENEXR

3.2.0 - desabilitar:

  • BUILD_DOCS
  • BUILD_EXAMPLES
  • BUILD_OPENEXR
  • BUILD_WITH_DEBUG_INFO
  • BUILD_opencv_apps
  • BUILD_opencv_contrib_world
  • BUILD_opencv_hdf
  • BUILD_opencv_python3
  • BUILD_opencv_world
  • WITH_GSTREAMER
  • WITH_MATLAB
  • WITH_OPENEXR
Depois destes configurações, basta apertar "Configure" novamente, e depois "Generate".



Gerando as bibliotecas e cabeçalhos



Chegamos no passo em que a biblioteca será finalmente compilada. Abra uma tela de prompt de comando (voce pode fazer isso clicando no logo do windows e digitando "cmd"), e teste se a variável de ambiente PATH foi corretamente atualizada com o caminho para o compilador mingw32w64 digitando "mingw32-make" e dando enter. O mingw32-make deve retornar um erro, conforme a figura abaixo. Caso o programa mingw32-make não seja encontrado, é necessário verificar o PATH.



Primeiro vamos compilar a biblioteca indo na pasta "build" com o comando "cd ENDEREÇO". Depois, basta digitar "mingw32-make all" e esperar o código compilar. Voce deve ver algo parecido com a tela abaixo:


Quando o processo terminar (pode demorar algumas horas!), você ainda precisa executar o comando "mingw32-make install" para gerar os cabeçalhos de função utilizados na hora de programar. Eles são aqueles arquivos referenciados nos "include"s no começo do código em C++. Você deve ver algo parecido com isso no terminal:



Nesta etapa, sua pasta "build" deve conter:
  • uma subpasta "bin" que contém os arquivos .dll.
  • uma subpasta "install/include" contendo as subpastas opencv e opencv2, que contém os cabeçalhos da biblioteca (arquivos .hpp).


Configurando o Eclipse



A primeira coisa a ser feita depois de abrir o Eclipse e escolher a pasta onde será o workbench, é ir em Window -> Preferences e adicionar o compilador ao PATH. Para isso, va em C++ -> Build -> Environment e adicione a entrada PATH, conforme a imagem abaixo.



Depois, crie um novo projeto em File -> New -> C/C++ Project -> C++ Managed Build -> Finish.

Então, clique com o botão direito em cima da pasta do projeto no menu da esquerda e clique em "Properties".

Agora, vamos modificar o compilador para o MinGW. Em C/C++ Build -> Tool Chain Editor. Mude o "Configurations" para "[All configurations]", Current toolchain para MinGW GCC, conforme figura abaixo. Depois clique em "Apply".



Depois, vá em C/C++ Build -> Settings -> GCC C++ Compiler -> Includes e adicione a pasta "install/include" dentro do seu diretório "build", conforme a figura abaixo.



Finalmente, clique em "Apply". Depois vá em MinGW C++ Linker -> Libraries, e adicione a pasta "bin" no Library search path, e inclua os nomes dos arquivo contendo as bibliotecas individualmente em Libraries. Obs: é necessário colocar o nome do arquivo sem o "lib" na frente nem o ".dll". Assim, libopencv_core320.dll deve ser incluido apenas como opencv_core320 .



Com essas configurações você já deve conseguir compilar e rodar algo no seu Eclipse. Vamos rodar um programa básico que apenas mostra uma foto em uma janela.



Rodando um programa de teste



Agora podemos criar um arquivo teste.cpp no projeto e adicionar o seguinte código:


#include <opencv2/opencv.hpp>
using namespace cv;
int main( int argc, char** argv )
{
  Mat image;
  image = imread( argv[1], 1 );
  if( argc != 2 || !image.data )
    {
      printf( "No image data \n" );
      return -1;
    }
  namedWindow( "Display Image", WINDOW_AUTOSIZE );
  imshow( "Display Image", image );
  waitKey(0);
  return 0;
}

Você vai perceber que alguns erros vão aparecer. Precisamos colocar as seguintes bibliotecas para este projeto compilar:

  • opencv_core
  • opencv_imgproc
  • opencv_imgcodecs
  • opencv_highgui
  • opencv_features2d

Lembrando que deve ser igual ao nome do arquivo sem o "lib" no início e sem o ".dll" no final. No caso da versão 3.2.0, o arquivo core fica "opencv_core320", e assim por diante.

Agora basta clicar em Project -> Build All, entrar no cmd.exe na pasta "Release" ou "Debug" do seu projeto e ele deve ter criado um executável. Basta rodar e ver se ele exibe a mensagem de "No image data" caso você não especifique a foto, ou então se eibe a foto caso ela seja passada como parametro na chamada do executável.

Como sempre, quaisquer dúvidas ou sugestões, mandem bala nos comentários abaixo!

Como limpar queimado de panela

Essa é uma dica rápida pra quem já deixou o arroz fervendo só um minutinho e foi seduzido pela Netflix....

E eu não estou falando de casquinha de queimado fácil de tirar, estou falando de quando a comida parece que se fundiu com o metal.

O que deu certo pra mim? Primeiro, coloque água na panela, e deixe ferver uns 30-40 minutos. A idéia é que a comida queimada tem que absorver bastante água.

Depois, basta deixar a panela em algum lugar seco por umas 3 semanas. A umidade vai sair da comida queimada, e essa parte vai ficar quebradiça. Daí fica fácil remover com uma colher, e depois é só lavar o fundo com detergente e palha de aço pra retirar os pedaços que não saíram. ;D


Taxa de Importação e Antecipação de Tutela


Esse é um tutorial pra quem já foi tributado ao importar qualquer produto permitido por lei: ou seja, não pode ser explosivos, armas de fogo, escravas sexuais nem políticos da Escandinávia =D O valor da compra deve ser inferior a 100 dólares americanos.

O processo que vou descrever exige a princípio três visitas presenciais, uma a Justiça Federal da sua cidade, e mais duas aos correios caso tudo corra bem. Depois da primeira vez, você pode combinar com o funcionário o correio para ir somente na retirada da mercadoria, mas pode ser que ele não aceite ou não tenha como checar emails e você vai precisar ir até a agência duas vezes. Esse processo se chama "antecipação de tutela", e basicamente é um pedido ao juiz pra retirar a mercadoria antes do seu processo ser julgado dado que o tempo gasto no julgamento pode te prejudicar (ou seja, conforme os dias que nossa famosa burocracia exige passam, você - autor - vai sendo prejudicado pois a mercadoria corre o risco de ser enviada de volta a China).

Antes de mais nada, a união faz a força. Caso você ainda não conheça, existem diversos grupos de Facebook de outros "muambeiros" como você que foram taxados e se organizam para saber como proceder, como por exemplo o Operação Pega Leão, onde aprendi muitas coisas. Pessoalmente eu acho que vale muito a pena entrar em um deles até pra conhecer gente da sua cidade que pode te dar uma ajuda pessoalmente.

O processo todo possui 3 passos, a seguir.

1. Conta no e-Proc


Para facilitar sua vida, é melhor criar uma conta no sistema eletrônico de processos judiciais chamado "e-proc", na categoria "Jus Postulandi", ou seja, o cidadão vai representar a si próprio sem o acompanhamento de um advogado. Dessa maneira você poderá enviar o seu processo ao juiz sem ter que ir presencialmente na Justiça Federal responsável pelo seu CEP. Se você não quiser criar conta, vai ter que ir toda vez na Justiça Federal com a papelada quando for tributado.

Primeiramente, é preciso saber onde fica a Justiça Federal da sua cidade. Eu descobri a minha pesquisando no Google "Justiça Federal Balneario Camboriu", mas não sei se existe algum serviço "oficial" de busca por CEP.

Entrando no site da JFSC por exemplo, já é possível ver o link pro e-proc no centro. 

2. Enviando a Petição Inicial


Agora que você já tem sua conta nesse site DAZELITE que são os "dêvogados" e já pode mandar um "ae gata(o), me add no e-Proc" na night, podemos enviar nossa petição inicial ao juiz federal de nossa cidade. Vale a pena fazer um breve checklist dos documentos que você vai precisar:

- CNH ou RG
- Comprovante de Residência
- Carta ou Telegrama do Correio com código de rastreamento do produto e valor do imposto/taxas
- Descrição do pedido (pode ser um print da tela do Aliexpress, mesmo em inglês)
- Texto da petição inicial

A CNH ou RG, o comprovante de residência e o telegrama escaneado você pode conseguir com a ajuda de um Smartphone caso não tenha scanner em casa. Eu sempre uso um App chamado Camscanner , que pode ser instalado em Android ou iPhone.

Caso você use o navegador Chrome, é possível entrar na tela do pedido do Aliexpress e mandar imprimir como PDF.

Só fica faltando mesmo o texto da petição inicial. Eu uso esse modelo aqui na JFSC de Itajai, mas acho que a melhor coisa a fazer é pegar de alguém que já fez e ganhou na Justiça Federal da sua cidade pra ter mais chance de dar certo.

Como usar o e-proc? É bem simples e intuitivo. As únicas partes que você pode encontrar alguma dificuldades estão listadas a seguir.


  • Tipo de processo: tributação, imposto de importação.
  • Reu: Uniao - Receita Federal, Empresa - Empresa Brasileira de Correios e Telegrafos.
  • Carta ou telegrama do correio com o valor dos impostos: categoria "CARTA".
  • Texto de petição inicial: categoria "PETIÇAO INICIAL".
  • Pedido do site chines: categoria "COMPROVANTE".


E se você não tiver feito conta no e-proc? Então você precisa ir presencialmente no tribunal da Justiça Federal que atende seu município se quiser dar entrada no processo. E vai precisar fazer isso toda vez que for pedir a antecipação de tutela. Por via das dúvidas é bom até levar os documentos listados e já escaneados num pendrive, pra não ter erro.

3. Entrega aos Correios e Retirada


Se tudo der certo, o juiz vai dar sua solicitação como deferida em alguns dias e você precisa notificar os correios onde sua compra está presa. Basta imprimir a sentença e entregar ao gerente da agência dos correios. Se você usa o e-proc, basta entrar no sistema e mandar imprimir o arquivo. Se você foi presencialmente na JF, então provavelmente vão te mandar a sentença por email.

Eu sempre levo uma cópia extra da primeira folha onde tem o número do processo para que a gerente assine e eu leve para casa, pois caso eles se enrolem e enviem a mercadoria de volta , posso adicionar esse fato no processo e pedir uma indenização. Os correios têm 5 dias úteis a partir da data em que recebem a notificação para que ela seja "avaliada", depois você pode ir retirar a mercadoria.

Como eu já conheço o pessoal aqui da agência da cidade, e eles me disseram que precisam digitalizar a liminar do juiz toda vez, eu combinei com eles de enviar por email já digitalizado: me poupa uma ida aos correios e agiliza o processo do lado deles. Claro, SE os correios usassem o dinheiro do monopólio que eles têm no Brasil pra facilitar as coisas poderiam ter um site onde a gente mandaria somente a liminar, etc, mas aqui os correios ainda conseguem ter prejuízo né pessoal...

4. A vida não é tão fácil...


Como você já deve saber nós vivemos no país onde todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais que os outros. Adivinha se você ia peitar a "Receita Federal" assim fácil, de casa, pela internet? Tanto a receita quanto os correios podem e normalmente recorrem da decisão do juiz, só que daqui pra frente não dá pra você mesmo enviar sua defesa: você vai precisar de um advogado. Então, você tem duas opções: a primeira é não fazer nada, deixar o processo correr pra turma recursal, e ver a decisão deles. Aqui em Florianopolis parece que eles sempre dão ganho de causa pro cidadão, e não pra receita. A outra opção é recorrer, enviando mais um documento reforçando os motivos pelo qual o imposto e taxa de despacho são indevidos, mas pra isso você vai precisar de um advogado.

Antes de anunciar o carro a venda pra pagar um "dotô", saiba que existem advogados voluntários. Sim, você pode ser representado de grátis e sem custos adicionais (e quando o processo terminar o advogado recebe os honorários pela justiça federal). Aqui em Itajai eu sempre recorro ao Rafael Massei , que tem sido muito prestativo e profissional. Mas se você quiser uma lista atualizada é bom pergutar lá no grupo de Facebook. ;D

Outra coisa muito importante: se o juiz considerar que sua compra teve o envio parcelado, você vai perder a causa. O que é isso? Imagina que você fez uma compra de USD 200, mas pra evitar o fisco pediu pro vendedor enviar em 5 pacotes declarados como USD 40 cada, e foi pego em um desses pacotes. Se o juiz entender que se trata de uma compra de USD 200 e não 5 compras de USD 40, você vai pagar imposto, e além disso imagino que ainda deve ficar na listinha negra do juiz.... Então, tomem cuidado com isso!

Finalmente, como sempre, qualquer dúvida ou sugestão, podem mandar bala nos comentários logo abaixo ;)

Moto G 3 Geração e a propaganda enganadora

No início do ano meu iPhone sofreu um acidente e acabei tendo que optar entre gastar 300 reais em uma tela nova ou comprar outro celular. O 4S já estava dando umas travadas, então "resolvi inovar" e pesquisei quais as melhores opções por um custo benefício melhor. Sim, estou afirmando que no meu caso, não valeu a pena o preço do iphone pelo uso que eu fiz dele.

Depois de um pouco de pesquisa, o Moto G 3 Geração me pareceu a melhor escolha, e eu arrisquei. Até agora estou achando tudo muito bom no celular, mas eis que uma informação errada no site do vendedor me fez usar um SD Card menor do que o máximo: no site da Saraiva consta que o máximo que o aparelho aguenta é 32GB, enquanto neste outro site especializado em android, falam que:

  • SD Standard: 2 GB
  • SD HC: 32GB
  • SD XC: 2 TB

Sim, dependendo do tipo de SD Card que você tem, ele aguenta até DOIS TERAS. Agora, depois que o fulano mal informado gastou seu dinheiro num SD menor ninguém reembolsa não é mesmo?



Qual não foi minha surpresa ao ver essa imagem linda:


A Pergunta Certa


No livro A Startup de $100 o autor enumera algumas perguntas que todo aspirante a empreendedor deve fazer. Muitas delas são óbvias: o que, como e onde vou vender, de que maneira vou receber o pagamento, e por que as pessoas vão pagar pelo que estou vendendo. Todas elas sempre me pareceram óbvias, mas eu ainda sentia faltar algo fundamental pra ter a motivação e incentivo a botar a mão na massa. A pergunta que esse livro me trouxe e que nunca ninguém havia me mostrado e fez toda diferença é: quem você quer servir?

Quando se pensa num negócio como algo impessoal, a primeira resposta que vem a mente é o maior número de pessoas possível. Dinheiro não tem sexo, altura, peso, cultura nem bom humor não é verdade? Pois foi exatamente esse fator que no meu caso travou todo o resto. Eu via o comportamento do paulistano médio nos shoppings, comércios, até nas ruas, e me achava um alienígena naquele meio. Eram essas pessoas que eu ia servir? Como eu teria chances se eu discordava de quase tudo que eles faziam? Vou ter que agir assim pra conseguir fechar negócios?

O experimento


Talvez minha opinião a respeito do paulistano já estivesse enviesada demais pelas minhas experiências de vida na cidade. Quem sabe a realidade fosse outra e as partes com as quais eu tive contato sempre foram infelizes. Vou contar um experimento que eu fiz, nada muito grande, a respeito do comportamento dos meus possíveis "clientes" pelo Brasil.

Pra quem não sabe o que é drop shipping , fica a leitura recomendada pra sua próxima compra no Mercado Livre (não, não tem nada a ver com Starcraft). Pois bem, em 2012 fiz 4 vendas para diferentes regiões do país nesse esquema. Sim, uma amostra infinitesimal pra tirar qualquer tipo de conclusão fundamentada, mas o relacionamento que tive com cada um dos clientes foi marcante. Sempre que uma venda era realizada, eu sugeria ao comprador que me pagasse somente ao receber o produto, por causa do longo tempo de espera e pela possibilidade de o pacote se perder ou ser tarifado (this is Brazil). Um comprador de Pernambuco sempre foi atencioso apesar dos erros gritantes de português até receber o produto. Depois não pagou e nunca mais deu sinal de vida. Um comprador do interior de SP foi muito compreensivo, gente boa, e até acabei conversando com ele por telefone, pois o produto era um presente pro filho dele e ele queria falar sobre a qualidade. Ele fez questão de pagar adiantado por depósito na minha conta bancária. Um comprador de SP capital usou mercado pago, não leu que o produto vinha da China e reclamou com o site mercado livre, que devolveu o dinheiro pra ele. Quando o produto chegou, se negou a devolver. E por último teve a compradora de Santa Catarina, que foi cooperativa, e pagou pelo produto depois de receber, como eu havia sugerido, e depois ainda entrou em contato pra falar o quanto havia gostado.


Por mais que hoje em dia esteja na moda a luta contra os estereótipos, não podemos esquecer porque eles existem. Dizem os sábios que a estatística é a linha de pensamento na qual se uma pessoa tem um frango assado pra comer e outra não tem nada, então na média cada uma tem meio. Porém, a própria estatística dispõe de margens de erros, e ela mesma se declara inútil dependendo do caso. No caso do frango, podemos saber pelo menos quantas pessoas participaram, e que existem frangos distribuidos entre elas. Também sabemos que a média nesse caso é inútil por causa do desvio padrão elevado: 0,5 (50%). Do mesmo modo, o comportamento de diferentes culturas, embora não definam precisamente cada indivíduo, podem ser usadas pra entender o que existe em uma determinada população. Esta é a tênue linha entre preconceito e fato que a ciência consegue traçar.


A confiança


Bons empresários não sobrevivem unicamente de altos lucros, por mais que isso possa causar reação nos combatentes mais ferrenhos do capitalismo. Um fator crucial de sobrevivência para uma empresa, especialmente uma empresa pequena, é o relacionamento com clientes e fornecedores. Pagamentos, datas e quantidades acabam tendo de ser renegociadas por imprevistos, e vivendo num dos países mais burocráticos do mundo, na maioria das vezes é necessário que a solução dos conflitos ocorra sem o acionamento da justiça para facilitar a vida de ambas as partes. Inclusive, a solução óbvia para o paradigma de burocracia exagerada, lentidão nos serviços públicos e leis mal feitas é o mundialmente famoso "jeitinho brasileiro", mas isso é assunto pra outro texto.

Assim sendo, não é nenhuma surpresa que posterioremente eu viria a descobrir que Florianopolis foi a melhor capital brasileira para empreender em 2014. Esse tipo de confiança no próximo, que dia após dia as ruas de São Paulo tiram dos cidadãos punindo quem confia no próximo com crimes não resolvidos e prejuízo, acaba se refletindo na sobrevivência das pequenas e micro empresas, que não possuem recursos financeiros nem políticos para resolver seus imprevistos.

Eu sei que estou fazendo uma suposição enorme aqui, mas determinar a causalidade do melhor resultado de SC com relação ao resto do país pode ser praticamente impossível, dado o número gigante de variáveis, sendo muitas delas subjetivas. No meu caso em especial funcionou assim, acho que na média, me identifico mais com as pessoas de SC do que com as da cidade de SP, e isso gera uma sensação de confiança necessária para se aventurar num negócio próprio ;D Acho que o maior medo depois de achar o seu "lugar próprio", é o medo de um dia ele mudar e ficar igual aos outros nos quais você não se encaixou, mas vamos encerrar o texto antes que se torne "reacionário". =D



Três dicas para o aprendizado de outros idiomas

Com o avanço da tecnologia pode ser que logo não precisemos mais aprender outras línguas e um aparelho eletrônico conseguirá fazer a tradução em tempo real. Já existem soluções por exemplo para textos, que utilizam a câmera do celular para traduzir placas, mas no caso da fala ainda temos muitas barreiras a superar. Meu exemplo favorito é o trabalho insano que os intérpretes de alemão devem ter: como o verbo no alemão fica no final em diversos tipos de orações, o tradutor deve ficar "parado" esperando que a frase seja terminada pra só então conseguir traduzir. Por enquanto, ainda temos que estudar por conta própria um idioma se quisermos nos comunicar oralmente com seus falantes, mas essa comunicação não deveria ser o único motivo pelo qual você aprender outra lingua, conforme havia escrito anos atrás neste outro post. Juntei algumas dicas de como melhorar de verdade no aprendizado de outra língua com os recursos que dispomos hoje, pois talvez possa ajudar o próximo.

1: Ler em meio digital, escrever no papel


Infelizmente o que foi criado como uma facilidade, acabou se tornando um problema. Corretores gramaticais "embutidos"nos editores de texto, dicionários ao alcance de um clique, funções de auto-completar... Todos eles auxiliam na produção de textos, mas não no aprendizado de uma língua. Por isso, uma dica importante é tentar escrever textos em papel, ou então usar um editor de texto bem simples e desligar a opção de auto-completar e correção. Deixo abaixo duas sugestões de editores, com as respectivas fotos, basta clicar para baixar. E caso você tenha interesse em aprender a como ter uma letra de mão mais caprichada, não deixe de conferir este post!

Sublime Text
Q10



2: Troca de correspondência com gringos


Uma prática muito comum em alguns países desenvolvidos (provavelmente pela menor criminalidade e maior confiança em estranhos) é a troca de correspondência com desconhecidos. A idéia é conhecer uma pessoa através de cartas, e na melhor das hipóteses, fazer um novo amigo.

O site Interpals é bem conhecido para a troca de contatos de pessoas interessadas em aprender outros idiomas e ensinar o seu próprio. Vale a pena conferir!

Interpals - troque cartas e emails com pessoas do mundo.


3: Filmes, música, literatura


Outra vantagem que a melhora na tecnologia trouxe para o aprendizado de idiomas é o baixo custo de produção de mídias. Antes, eramos limitados às produções de grandes estúdios e empresas, o que muitas vezes nos dava acesso a conteúdos "datados", como filmes e músicas com qualidade baixa comparado aos feitos recentemente. Hoje é possível assinar canais no Youtube, podcasts, etc, de figuras que falam de assuntos do seu interesse no idioma de seu interesse. Basta algumas buscas no google para encontrar conteúdo que interesse a você, e é possível ouvir no carro, no ônibus, na praia... Existem até mesmo canais de pessoas que ensinam outros idiomas "gratuitamente", recebendo apenas o que ganham com propagandas. O grande problema é que a maioria foi feita para o falante de inglês, então se você não domina muito bem o inglês, esta vai ser a primeira língua que você deve estudar.

Uma dica para os que já se consideram falantes razoáveis de um idioma e querem mais conteúdo para os níveis mais avançados, é usar o Netflix junto com um serviço de proxy, e assistir séries e filmes dublados para outros idiomas. Infelizmente, isso causa o indesejavel efeito das dublagens "Herbert Richards", e algumas cenas ficam totalmente artificiais...






Reformas e obras: dicas de sobrevivência



Depois de uma experiência marcante (negativamente) com reformas e obras de construção civil, fiz uma reflexão pra identificar onde errei. Como acho que teria sido útil ler isso antes, vou deixar o texto público pra quem sabe ajudar outras pessoas.

O país da mão de obra desqualificada


Meu avô foi pedreiro grande parte da sua vida, e por isso eu quis acreditar que essa imagem de pessoa de baixo nível de educação (e raciocínio) que a profissão tem na nossa sociedade era injusta. Sim crianças, razão e emoção nunca devem caminhar juntas, e graças a isso eu subestimei a capacidade do nosso país em produzir péssimos profissionais, usei a exceção como regra. A primeira dica caso você não tenha a mínima noção de quais materiais usar, o que fazer, etc, é de aprender por conta própria. Por mais que não devesse ser sua função falar pra um prestador de serviço como ele deve realizar o trabalho, é isso que acaba acontecendo na prática. A parte mais triste da história toda é não conseguir saber se a pessoa realmente não consegue fazer um trabalho de qualidade por falta de conhecimento, ou se é desonesta e tenta te enganar fazendo tudo do jeito mais fácil (e muitas vezes errado). Se por acaso você não tiver tempo, recursos, ou mesmo jeito pra aprender o básico de construção civil, minha recomendação é utilizar seu networking pra achar alguém de confiança que entenda do assunto e provavelmente pagar essa pessoa pra supervisionar a obra (o famoso "mestre de obras").

A reputação e as referências


Mesmo contratando uma empresa que mostra engenheiros alemães em jalecos brancos nos seus panfletos, você provavelmente vai acabar vendo cenas bem diferentes do prometido. Por isso, corra atrás de todas as referências que o profissional passar, e preste atenção em todos os detalhes. Caso o contato tenha alguma reclamação, tenha em mente que o problema pode ser muito maior que o informado, pois certamente existem outros clientes insatisfeitos que a empresa não te forneceu como referência.

Outro ponto importante que pouca gente sabe é que existem serviços online para verficar se há alguma pendência da empresa com relação a processos trabalhistas, dívidas com o governo federal, e principalmente, se o CNPJ informado existe.

Link para verificar se há pendências trabalhistas.
Link para verificar dívidas com a união.
Link para verificar o CNPJ.

O contrato oral (e o resultado anal)


O maior erro que você pode cometer no lugar abençoado por deus e bonito por natureza é fazer qualquer tipo de contrato verbal. Mesmo tendo validade jurídica (como no caso de taxistas), o PROCON não aceita esse tipo de contrato pra auxiliar o consumidor na abertura de processo, e você terá que recorrer ao tribunal de pequenas causas e fazer a onerosa e ineficaz máquina judiciária se movimentar. Muito importante: não aceite o "sou de confiança", "tenho palavra" ou qualquer variação desses como argumento, pois culturalmente o brasileiro médio não tem problema nenhum em ser chamado de pilantra se levar vantagem (vide lei de gerson, malandragem carioca). Importante constar no contrato o endereço e telefone da empresa, pois eles serão usados pelo PROCON.

Ora, isso parece óbvio, mas como lidar com pequenos serviços que surgem ao longo da obra, e que não estavam inclusos no orçamento? Primeiramente, caso você tenha seguido a primeira dica de conversar com alguém que entende de construção civil antes de tudo, a chance de surgir um "imprevisto" durante a obra diminui. Assim, é recomendável que você prepare uma lista com tudo que deve ser feito, detalhadamente, e essa lista deve ser incluida no contrato. Essa lista será entregue ao prestador de serviço para que ele passe o orçamento.

Se mesmo assim, no decorrer da obra, você resolver fazer algum outro serviço que não estava previsto, faça um novo contrato específico pra esse serviço. O tempo usado pra fazer um contrato novo com certeza compensa a dor de cabeça que você pode ter se não tiver feito e precisar.