Reformas e obras: dicas de sobrevivência



Depois de uma experiência marcante (negativamente) com reformas e obras de construção civil, fiz uma reflexão pra identificar onde errei. Como acho que teria sido útil ler isso antes, vou deixar o texto público pra quem sabe ajudar outras pessoas.

O país da mão de obra desqualificada


Meu avô foi pedreiro grande parte da sua vida, e por isso eu quis acreditar que essa imagem de pessoa de baixo nível de educação (e raciocínio) que a profissão tem na nossa sociedade era injusta. Sim crianças, razão e emoção nunca devem caminhar juntas, e graças a isso eu subestimei a capacidade do nosso país em produzir péssimos profissionais, usei a exceção como regra. A primeira dica caso você não tenha a mínima noção de quais materiais usar, o que fazer, etc, é de aprender por conta própria. Por mais que não devesse ser sua função falar pra um prestador de serviço como ele deve realizar o trabalho, é isso que acaba acontecendo na prática. A parte mais triste da história toda é não conseguir saber se a pessoa realmente não consegue fazer um trabalho de qualidade por falta de conhecimento, ou se é desonesta e tenta te enganar fazendo tudo do jeito mais fácil (e muitas vezes errado). Se por acaso você não tiver tempo, recursos, ou mesmo jeito pra aprender o básico de construção civil, minha recomendação é utilizar seu networking pra achar alguém de confiança que entenda do assunto e provavelmente pagar essa pessoa pra supervisionar a obra (o famoso "mestre de obras").

A reputação e as referências


Mesmo contratando uma empresa que mostra engenheiros alemães em jalecos brancos nos seus panfletos, você provavelmente vai acabar vendo cenas bem diferentes do prometido. Por isso, corra atrás de todas as referências que o profissional passar, e preste atenção em todos os detalhes. Caso o contato tenha alguma reclamação, tenha em mente que o problema pode ser muito maior que o informado, pois certamente existem outros clientes insatisfeitos que a empresa não te forneceu como referência.

Outro ponto importante que pouca gente sabe é que existem serviços online para verficar se há alguma pendência da empresa com relação a processos trabalhistas, dívidas com o governo federal, e principalmente, se o CNPJ informado existe.

Link para verificar se há pendências trabalhistas.
Link para verificar dívidas com a união.
Link para verificar o CNPJ.

O contrato oral (e o resultado anal)


O maior erro que você pode cometer no lugar abençoado por deus e bonito por natureza é fazer qualquer tipo de contrato verbal. Mesmo tendo validade jurídica (como no caso de taxistas), o PROCON não aceita esse tipo de contrato pra auxiliar o consumidor na abertura de processo, e você terá que recorrer ao tribunal de pequenas causas e fazer a onerosa e ineficaz máquina judiciária se movimentar. Muito importante: não aceite o "sou de confiança", "tenho palavra" ou qualquer variação desses como argumento, pois culturalmente o brasileiro médio não tem problema nenhum em ser chamado de pilantra se levar vantagem (vide lei de gerson, malandragem carioca). Importante constar no contrato o endereço e telefone da empresa, pois eles serão usados pelo PROCON.

Ora, isso parece óbvio, mas como lidar com pequenos serviços que surgem ao longo da obra, e que não estavam inclusos no orçamento? Primeiramente, caso você tenha seguido a primeira dica de conversar com alguém que entende de construção civil antes de tudo, a chance de surgir um "imprevisto" durante a obra diminui. Assim, é recomendável que você prepare uma lista com tudo que deve ser feito, detalhadamente, e essa lista deve ser incluida no contrato. Essa lista será entregue ao prestador de serviço para que ele passe o orçamento.

Se mesmo assim, no decorrer da obra, você resolver fazer algum outro serviço que não estava previsto, faça um novo contrato específico pra esse serviço. O tempo usado pra fazer um contrato novo com certeza compensa a dor de cabeça que você pode ter se não tiver feito e precisar.

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