Falar outra língua influencia nosso modo de pensar?

Este texto é baseado em um artigo do Wall Street Journal. Se você manja bem de inglês, é melhor ler o original na íntegra pra escapar das minhas opiniões pessoais antes de ler este post. ;) Além disso, o texto não dá nenhuma referência acadêmica (como notado por um professor da faculdade pra quem mostrei o artigo), e por isso não tem "credibilidade científica" (inclusive, muita coisa do que é psotado aqui não tem, só pra avisar...).

Quem já teve a oportunidade de se afastar do português por bastante tempo, pode ter percebido um efeito muito interessante que falar constantemente outro idioma tem sobre uma pessoa. O fato de ter que organizar as frases de outro jeito, de usar outras expressões, muitas vezes acaba influenciando seu próprio jeito de pensar. Como? Pense em pedir um big mac no Mc Donalds. Inglês: "I will have a big mac", traduzindo ao pé da letra vira "vou ter um big mac". Pode parece estranho, mas sem perceber você acabou de tirar totalmente o papel que o vendedor têm no processo de venda. Em português você diria normalmente "me vê um big mac", ou "me dá um big mac" e as vezes "quero um big mac" (claro que isso varia de região para região, e eu estou falando de São Paulo). O papel do vendedor nos 2 primeiros exemplos é claramente mencionado, pois você pede a ele o lanche. O fato de perceber uma coisa trivial como essa pode abrir nossa mente para um aspecto mais generalista: até onde nosso idioma nos influencia?

Charlemagne disse que "falar uma segunda língua é ter uma segunda alma", mas as teorias liguisticas de Noan Chomsky (sim o mesmo Chomsky das linguagens de programação, de compiladores, etc) sobre a existência de uma gramática universal para todas as línguas acabou tornando este tema esquecido, uma vez que se todas as línguas possuem uma mesma gramática, não são tão diferentes entre si.

Porém, alguns fatos curiosos são observados analisando-se diferentes povos:

  • Russos tem mais facilidade para reconhecer diferentes tons de azul uma vez que em seu idioma existem diversas palavras para tonalidades de azul claro e escuro.
  • Algumas tribos australianas sempre utilizam pontos cardinais (norte, sul, leste e oeste) para referência ao invés de esquerda e direita, e como consequência, tem uma orientação espacial muito melhor.
  • Os Piraha, cujo idioma não possui muitas distinções entre "muito" e "pouco" têm dificuldade ao lidar com quantias exatas.
  • Falantes do idioma japones e espanhol tiveram mais dificuldade ao acusar quem praticava ações em vídeos após terem os assistido, uma vez que seus idiomas tratam algumas ações como impessoais ("o vaso se quebrou" ao invés de "fulano quebrou o vaso").
  • Povos simbolizam a direção da passagem de tempo na mesma direção em que escrevem. Talvez por isso nos mangás os quadrinhos da direita devem ser lidos da direita para esquerda.

O idioma portanto parece estar diretamente relacionado com o modo como os povos percebem o tempo, espaço e relações de causalidade. Shakespear estava errado: uma rosa tem sim cheiro diferente se for chamada de outro nome, e a lingua pode influenciar até como uma sociedade se organiza. Países com um idioma que enfatizam mais o sujeito das orações (como no caso do inglês) parecem ter um sistema judiciário muito mais orientado à punição do criminoso do que ao ressarcimento da vítima.

Conversando com um brother do trabalho a respeito, ele me mostrou um americano que ao ter percebido a grande influência do idioma no nosso pensamento, decidiu construir uma língua mais neutra. Esse cara têm um canal no talkshoe onde debate o tema com diversas pessoas interessadas no assunto.

Fica a dica para tentar enxergar além das barreiras que nossa própria cultura cria. Não desmerecendo o idioma ou qualquer outra espécie de cultura humana, afinal elas tiveram e muitas ainda têm sua utilidade. Deveriamos apenas seguir o curso da evolução sem arrependimentos e alimentar a curiosidade e a mentalidade questionadora.





Nenhum comentário:

Postar um comentário