Educação gratuita


O melhor investimento que recebi da minha família, depois do colégio, foi um bom curso de inglês. Soa arrogante falar isso como se eu realmente fosse muito bom nisso, mas ter um certo domínio da lingua inglesa me possibilitou participar de um projeto muito interessante ano passado, que continua esse ano, e que acho que só irá crescer nos próximos anos: faculdades americanas que são referência em qualidade de ensino abrindo portas virtuais para alunos de todo o mundo para que tenham acesso a conhecimento que talvez nunca fossem ter em seus países. Por isso, fica a dica: dinheiro investido no domínio do idioma inglês é dinheiro bem gasto.


No Brasil pouca gente consegue ver o retorno que existe ao investir em educação, especialmente porque grande parte dele não é mensurável. Educação boa não quer dizer necessariamente um salário maior no longo prazo, e mesmo que tenha isso como uma das consequências, é apenas uma pequena parcela do que se ganha quando se é bem instruído.


Inovação de Stanford e Coursera




Começou com 3 cursos de enorme complexidade, oferecidos exclusivamente por Stanford: aprendizado de máquina, inteligência artificial e banco de dados. A sensação era de se estar frequentando a faculdade novamente: existem prazos para entrega dos trabalhos, as provas têm dia certo, e a matéria vai sendo dada aos poucos. No final, depois de muita paciência, o aluno recebe um certificado (um pdf assinado digitalmente) com sua nota e atestando sua participação. É explicitado neste documento que o curso não conta como aulas de Stanford, mas ainda assim, o que vale realmente é o que foi aprendido, não o certificado em si.


Atualmente (o texto foi escrito em Março de 2012), os cursos disponíveis online estão reunidos no Coursera, um site que se dispõe a "fazer a melhor educação disponível acessível sem custos a pessoas que a procuram", e disponibiliza cursos de diversas instituições, entre elas Stanford, Michingan e Berkley.


Infelizmente, a boa vontade muitas vezes é barrada por questões econômicas que envolvem direitos autorais. Mas, é de se imaginar que tanto manter o conteúdo disponível como as horas gastas pelos professores e especialistas para criar o material têm custos, e alguém vai bancar isso.


Alternativas para aprender inglês


Existem hoje sites que tentam promover a "educação social" de outras línguas, como no caso do LiveMocha: a idéia é que cada um ensine sua lingua mãe a outras pessoas do mundo, e em troca aprenda a lingua delas. O maior problema é que não são professores com didática que vão conversar com você, e por isso você pode aprender gírias, falar errado, etc... Obviamente poder se comunicar em outro idioma, mesmo que de cometendo pequenos erros, é muito melhor que não saber falar nada, mas deveria existir um sistema de e-learning de inglês gratuito mais rígido nessas questões. Por limitações técnicas (o estudo do conhecimento e a semântica ainda é um problema computacional, o que dificulta sua automação), ainda precisamos muito do fator humano no ensino, especialmente na parte de correção de exercícios.

Outra opção pra quem já tem um certo dominio e quer se aprimorar são os chamados "pen pals" (amigos de caneta), pessoas com quem você irá se corresponder, escrevendo no idioma nativo do seu correspondente, e recebendo cartas em português para corrigir. É possível arrumar um parceiro pela internet em sites como o Interpals.


Há algum tempo, lancei uma idéia no site de trabalho voluntário Portal do Voluntario, com a idéia de montar pequenos grupos de reforço escolar por skype. Uma pequena descrição da idéia do projeto pode ser conferida aqui. Inclusive, se você gostou da idéia e quer participar, é só entrar em contato!


E no Brasil?


Além dos emails de SPAM do UOL com "cursos grátis" (que exigem seu numero de cartão de crédito, mas pode ficar tranquilo que """"nada"""" será debitado), encontrei algumas entidades que parecem ser mais sérias.


A Faculdade Getulio Vargas disponibiliza diversos cursos de curta duração, mas eu não tentei fazer nenhum. Infelizmente eles pedem muita informação no site, e é mais um caso de lista enorme de dados a serem preechidos antes de poder ter acesso ao material...


Cursos mais "práticos" podem ser encontrados por exemplo no Sebrae e no Senai, mas são mais voltados para industria e comércio, não necessariamente educação de base ou relacionado à área acadêmica.

Eu particularmente espero ver mais atenção por parte do governo na difusão do conhecimento usando a internet como canal de comunicação. É uma maneira barata e eficaz de garantir inclusão para diversas pessoas, ainda mais levando em conta todos os problemas do país: concentração de ensino de qualidade nas capitais, sistema de transporte público deficiente e diferença de renda entre regiões - o custo para manter um filho na faculdade na capital é muito maior em função da renda para uma família do interior do que para uma família da capital. Não acredito que deva substituir a educação tradicional, mas é uma alternativa melhor nos casos em que a pessoa não continuaria seus estudos depois da conclusão do ensino médio.















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